quinta-feira, 2 de julho de 2015

Em crise, Futebol Pernambucano agoniza após fim do programa ‘Todos Com a Nota’

Salgueiro e Serra Talhada podem fechar as portas ainda em 2015
Em crise, Futebol Pernambucano agoniza após fim do programa ‘Todos Com a Nota’

Semanas após o Governo de Pernambuco decretar o fim do programa “Todos Com A Nota”, sob a justificativa de ajudar a conter a violência no estado, os clubes começam a sentir as consequências no bolso.
Sem recursos, o Salgueiro, atual vice-campeão estadual, ameaça fechar as portas já neste fim de semana caso não consiga arrecadar recursos com novos sócios ou patrocínios.
Na Série D, Central e Serra Talhada correm para tentar arrecadar recursos e bancar a participação dos times na competição. Outros clubes intermediários do estado também já começam a se mobilizar para superar as dificuldades financeiras e viabilizar a sua participação no Pernambucano 2016.
ENTENDA O CASO:
Após um período de incertezas e no início de Maio, pouco tempo após o fim do estadual, Paulo Câmara, então governador de Pernambuco, anunciou a extinção do programa “Todos Com a Nota”, o qual consistia na troca de notas fiscais por ingressos dentro do território pernambucano e tinha mais de 420 mil usuários cadastrados.

Além de diminuir consideravelmente a presença de público presente nos estádios em dias de jogos, a medida interferiu diretamente nas finanças dos clubes, sobretudo os do interior, pois muitos dependiam do dinheiro arrecadado pela troca de ingressos para se manter ou haviam feito seus planejamentos para 2015 com base nele – para cada ingresso trocado, o clube recebia cerca de R$ 7,50, além de uma cota fixa por competição.
Na Série C, o Salgueiro vive a situação mais delicada e já sofre com pendências no pagamento dos jogadores, além de uma queda brusca em sua média de público anual, visto que no Pernambucano o clube colocava, em média, 6.724 pessoas por jogo, contra apenas 568 na terceira divisão nacional – a pior média do Grupo A e a quarta pior da competição, sendo superior apenas a do Tombense (437), Madureira (356) e Guaratinguetá (314).
SALGUEIRO:

Em participação especial na resenha esportiva da Rádio Talismã FM, Clebel Cordeiro, presidente do Salgueiro, saiu emocionado após anunciar sua ida ao Recife, amanhã, para negociar com a FPF e o governo uma possível salvação para o clube. A notícia causou comoção na região, a qual se mobiliza para tentar ajudar a reerguer o clube e salvá-lo da falência.

Empresários de Petrolina, sexta cidade mais rica do estado e segunda no interior, também entraram em contato com o presidente do clube para tentar levá-lo à cidade, mas a proposta ainda não ganhou força em decorrência da intenção da manutenção da identidade local do Carcará. A informação foi confirmada por Geraldo Neto, atual vice-presidente da equipe.
CRISE GENERALIZADA:
A carência de recursos, porém, não se restringe somente ao Carcará e preocupa dirigentes e torcedores de vários outros clubes espalhados pelo estado. Apesar de ter maior destaque, o Salgueiro não foi o primeiro time tradicional do estado a chutar o balde.

Tudo começou há alguns dias, quando o Araripina desistiu de jogar a segunda divisão estadual em decorrência da falta de recursos – dentre eles o dinheiro provido pelo Todos Com a Nota – e de dois bloqueios judiciais. Apesar de todo o esforço movido pelo presidente Ted Alencar, o Bode, dono da maior média de público da segundona pernambucana por dois anos consecutivos, não conseguiu arrecadar fundos suficientes para disputar a competição.
Atuais representantes locais na Série D, Central e Serra Talhada correm contra o tempo na esperança de obter recursos e viabilizar a participação na competição sem debilitar ainda mais suas saúdes financeiras e, segundo membros da imprensa local, ambos os times estariam ameaçados de poderem desistir da competição “em cima da hora”.
A situação se agrava ainda mais quando presidentes de outros clubes intermediários não garantem a participação na primeira divisão de 2016 por conta dos cortes. Em conversa informal com a equipe do FuteboI Interior, o presidente de um deles, que pediu para não ter a identidade revelada com medo de possíveis represálias, comentou, com esperança, as dificuldades vividas pela equipe após o fim do incentivo do governo estadual.
É muito difícil. Temo pelo nosso futuro nos estaduais seguintes, pois são muitas equipes e pouco retorno. Se neste ano e com o incentivo já se pagava para jogar em alguns municípios, imagine agora. Não sei como faremos sem ele e nem sei de onde iremos tirar recursos. Isto só o tempo dirá e espero que ele nos traga boas surpresas. Apesar de tudo, a esperança sempre será a última coisa a morrer dentro de mim e farei o possível para manter não só a minha equipe de pé, mas o futebol de todo estado. Se um ganha, todos ganham. Se um perde, todos perdem. E, infelizmente, estamos perdendo. Também dependemos deles e desta rivalidade sadia para sobreviver”, disse.
IMUNIDADE, DECEPÇÃO E BRILHO:
Em situação inversa a dos clubes intermediários, o chamado “Trio de Ferro” da capital recifense pouco sentiu o fim do patrocínio governamental. Com torcidas estabelecidas e tradição centenária, os três clubes da capital seguem com presença garantida dentro dos estádio e financeiramente estáveis, garantindo suas presenças nos campeonatos nacionais. Mesmo em pior situação financeira e com um péssimo início de ano, o Náutico vai superando as dificuldades e fazendo um grande início de Série B, ocupando a quarta posição e garantindo, no momento, o acesso à primeira divisão nacional.

A decepção na mesma competição fica por conta do Santa Cruz, atual campeão estadual, por conta do início de campeonato ruim e, atualmente, brigando para sair da parte de baixo da tabela. Na Série A, o Sport não dá nenhum vestígio de falta do recurso e, no momento, vai liderando o Campeonato Nacional, além de ser o único invicto dentre os 20 participantes.
(FutebolInterior)

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